Como acompanhar um debate em inglês: hesitações, reformulações e opiniões implícitas

Nível B2

Como acompanhar um debate em inglês: hesitações, reformulações e opiniões implícitas

Num debate de verdade, ninguém fala como no livro: as pessoas hesitam, se corrigem e às vezes nem dizem o que pensam. Nesta lição, a ideia central é esta: para acompanhar um argumento e sua réplica, passe por cima das hesitações, fique com a última versão do que a pessoa disse, trate a opinião implícita como uma dedução que o contexto sustenta e, na dúvida, faça uma pergunta precisa. Você vai treinar com um trecho curto; seguir debates longos pede muito mais tempo de escuta.

O que você já sabe

Algumas ferramentas vêm de antes. Para conferir o que entendeu, “Sorry, did you say Tuesday or Thursday?” (Desculpe, você disse terça ou quinta?) oferece duas leituras. Na fala rápida, palavras fortes como nomes, verbos principais e dias carregam a informação, e as pequenas quase somem.

“Sorry, can I come in here?” (Desculpa, posso entrar na conversa aqui?) pede a vez. “She seems to be away, but let's check.” (Ela parece não estar, mas vamos conferir.) separa o que você deduziu do que sabe. “The point is that we can't do everything by Friday.” (A questão é que não dá para fazer tudo até sexta.) anuncia o que a pessoa quer que fique. Agora essas peças vão servir para ouvir os outros.

Palavras para seguir a conversa

Well, um e you know dão tempo a quem fala: em português seriam bem, hã e sabe. I mean é quer dizer, e in other words é em outras palavras: os dois anunciam outra versão. In theory é em teoria. Suppose é supor, mas “I suppose” costuma soar bem menos solene que “suponho”: é mais um “é, acho que sim”, sem entusiasmo. Imply é insinuar, dar a entender, sugerir algo sem dizer. Put, aqui, é dizer de certo jeito, não pôr um objeto. Follow, nesta lição, é acompanhar o raciocínio de alguém, não seguir uma rua.

Na reunião do bairro: fechar a rua aos sábados?

Numa reunião de bairro, discute-se um plano: fechar a rua para carros aos sábados. Uma pessoa (a) tem dúvidas, e a outra (b) tenta entender a posição dela. Ouça a conversa inteira e repare na primeira impressão: essa pessoa parece contra. No fim, veja se essa impressão se sustenta.

Shop owners são os donos das lojas. For e against são a favor e contra. Park é estacionar, e parking é o estacionamento. “Is that right?” confere se você entendeu bem.

Hesitações: passe por cima

Hesitar é normal: quem fala precisa de tempo para pensar. O inglês preenche esse tempo com um som (um), uma palavra (well, you know), a mesma palavra repetida, como em “We need, we need, um, more time.” (A gente precisa, a gente precisa, hã, de mais tempo.), ou uma frase recomeçada: em “The plan, um, it's too big for this street.” (O plano, hã, é grande demais para esta rua.), a pessoa para depois de the plan e retoma com it.

Em geral, nada disso traz informação nova, então não pare para traduzir: siga as palavras fortes. A exceção útil é well no começo de uma resposta, que muitas vezes avisa que o sim não virá simples: “Well, um, I'm not sure about that.” (Bem, hã, não tenho certeza disso.). Em “It's, you know, a very busy street.” (É, sabe, uma rua bem movimentada.), you know não pergunta nada. Você não precisa imitar essas marcas; se quiser ganhar tempo ao falar, well é a mais útil.

Reformulações: fique com a segunda versão

Quando a pessoa reformula, é a segunda versão que ela sustenta. I mean, in other words, what I mean is e let me put it another way avisam que outra versão vem aí. Ela pode corrigir: em “The shops will close. I mean, some of them might.” (As lojas vão fechar. Quer dizer, algumas talvez fechem.), a certeza de will cai para a possibilidade de might, e quem resumir “as lojas vão fechar” resumiu errado.

Ela também pode explicar. Em “We don't know yet. In other words, nobody has asked them.” (Ainda não sabemos. Em outras palavras, ninguém perguntou a eles.), ela diz o mesmo com mais clareza. “What I mean is that the plan needs more time.” (O que eu quero dizer é que o plano precisa de mais tempo.) dá a versão direto, e “Let me put it another way.” (Vou dizer de outro jeito.) avisa que a próxima frase é outra tentativa.

I mean, / In other words, / What I mean is / Let me put it another way: we don't know yet / nobody has asked them.

Opiniões implícitas: o que fica no ar

Às vezes a opinião não está nas palavras. “It's a nice idea, in theory.” (É uma boa ideia, em teoria.) elogia, mas in theory deixa no ar que na prática pode não dar certo. “I suppose it could help.” (É, acho que até pode ajudar.) aceita sem entusiasmo. “Has anyone asked the shop owners?” (Alguém perguntou aos donos das lojas?) tem forma de pergunta, mas pode querer dizer que alguém deveria ter perguntado.

Essas leituras são prováveis, não certas: a próxima seção mostra por quê.

Quem decide é o contexto

As mesmas palavras mudam com o que vem depois. “It's a nice idea. Let's try it.” (É uma boa ideia. Vamos tentar.) é um elogio sincero. Em “It's a nice idea, in theory. But who's going to pay for it?” (É uma boa ideia, em teoria. Mas quem vai pagar por isso?), a dúvida aparece no in theory e na pergunta.

Ao resumir, separe o que a pessoa disse do que você deduziu. “He didn't say no.” (Ele não disse não.) é uma observação. “He seems to be against the plan, but he hasn't said so.” (Ele parece ser contra o plano, mas não disse isso.) e “I think he's implying that the plan is too expensive.” (Acho que ele está dando a entender que o plano é caro demais.) são inferências que se assumem como tais. Sem seems ou I think, seu resumo afirmaria mais do que a pessoa disse. No debate, a impressão “é contra” estava errada: se a dúvida importa, pergunte.

Are you saying that…? Diga o que entendeu

Uma pergunta precisa não diz só “não entendi”: mostra o que você entendeu e pede confirmação. Depois de “Are you saying that”, coloque uma frase completa: “Are you saying that we should cancel the plan?” (Você está dizendo que a gente devia cancelar o plano?). A pessoa pode confirmar, com “Yes, that's what I'm saying.” (Sim, é isso que estou dizendo.), ou corrigir, com “No, that's not what I'm saying.” (Não, não é isso que estou dizendo.).

A vantagem sobre “What do you mean?” (o que você quer dizer?) é que você já entrega uma leitura, e a resposta fica mais fácil. Num tom duro, a pergunta pode soar como desafio, então diga com calma.

Are you saying that what you understood?

When you say…: a dúvida é uma palavra

Quando o problema é uma palavra, repita a palavra da pessoa e ofereça duas leituras. Em “When you say ‘people’, do you mean customers or the people who live here?” (Quando você diz “pessoas”, quer dizer os clientes ou quem mora aqui?), ela só precisa escolher. O mesmo vale para “expensive” no outro exemplo. Na fala, as aspas somem: uma pequena pausa antes da palavra citada basta.

When you say “their word”, do you mean one reading or another reading?

Se você se perdeu, aponte onde

“Sorry, I don't follow.” (Desculpa, não estou acompanhando.) é honesto, mas sozinho obriga a pessoa a recomeçar tudo. Acrescente o pedaço que faltou: “Sorry, I don't follow. Who won't come?” (Desculpa, não estou acompanhando. Quem não vai vir?).

Com which part (que parte), você isola o ponto: “Sorry, which part are you worried about?” (Desculpa, que parte te preocupa?). Note que about fica no fim da pergunta, ao contrário do português.

Argumento e réplica: quem disse o quê

Para não se perder, acompanhe três coisas: o que a primeira pessoa defende, o que a outra faz com isso e o que ficou em aberto. Em “What matters is that the street is safe.” (O que importa é que a rua seja segura.), a posição vem anunciada por what matters.

Em “That's true, but the point is that people need somewhere to park.” (É verdade, mas a questão é que as pessoas precisam de um lugar para estacionar.), a réplica aceita uma parte e muda o foco. That's true seguido de but não é acordo total: o peso costuma cair depois de but. Para conferir, diga as duas partes: “So you agree that it's safer, but you're worried about parking?” (Então você concorda que fica mais segura, mas o estacionamento te preocupa?).

Só para reconhecer: sotaques

Num debate real, cada pessoa fala com o próprio sotaque (accent). O áudio desta lição usa uma voz clara e não mostra essas diferenças; por isso, aqui você só vai ler sobre elas. As duas frases abaixo são só para reconhecer.

Para começar, descubra quem fala e de onde a pessoa vem, e use legendas na primeira vez que ouvir; depois, ouça de novo sem elas. Esta lição não promete que você vai entender todas as variedades do inglês: isso vem com tempo de escuta, um sotaque de cada vez.

Sua vez: ouça, resuma, pergunte

Ouça a primeira frase abaixo e passe por cima de um. O que fica? O well inicial já avisa que o sim não virá simples, I suppose soa sem entusiasmo, e a pergunta pode ser uma crítica.

Antes de ver as outras frases, resuma essa fala para outra pessoa, mantendo a dúvida. Depois, faça uma pergunta que confirme o que você entendeu e outra que aponte a parte que preocupa a falante. As frases seguintes são respostas possíveis.

Resumo: quatro passos para seguir um debate

Primeiro, passe por cima de um e you know, repare no well que abre uma resposta e siga as palavras fortes. Segundo, fique com a versão que vem depois de I mean ou in other words. Terceiro, trate a opinião implícita como inferência sustentada pelo contexto, e mantenha seems ou I think ao resumir. Quarto, na dúvida, faça uma pergunta precisa, repetindo a palavra da pessoa ou dizendo o que entendeu.

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