Precisão e ênfase em inglês: What matters is e The point is

Nível B2

Precisão e ênfase em inglês: What matters is e The point is

Numa reunião sobre o site de uma cliente, tudo parece urgente e uma frase vaga já causa confusão. Nesta lição, a ideia central é esta: para o que importa não se perder, você anuncia (“What matters is…”, “The point is…”), nomeia (sem pronome que possa apontar para duas coisas) e acentua a palavra que faz a diferença. Dois padrões bastam.

O que você já sabe, e o que vem agora

Três ideias vêm de antes. Em “Ana called Mia, who was at home.” (Ana ligou para Mia, que estava em casa.), who fica colado ao nome e por isso aponta só para Mia. Em “It is noisier when someone is cooking. Nevertheless, I would not go back to a closed kitchen.” (Tem mais barulho quando alguém está cozinhando. Apesar disso, eu não voltaria para uma cozinha fechada.), você dá sua posição depois de admitir um limite. E em “I said Tuesday, not Thursday.” (Eu disse terça, não quinta.), você ouviu a força cair nas palavras que mudam.

Falta dizer qual ponto pesa mais. No final, essa força deixa de ser só algo que você ouve: você vai usá-la ao falar.

Três palavras da lição

Matter é importar, ter importância; aqui é verbo, por isso ganha -s em “What matters”. Point, nesta lição, é a ideia principal do que você quer dizer, e “the point is” costuma corresponder a “a questão é”, não a “o ponto é”. Delay é atraso.

Na reunião: uma frase vaga e uma decisão

Duas pessoas falam do site novo da senhora Reed. A primeira frase é vaga de propósito: she pode ser a senhora Reed ou a Nina, e a outra pessoa precisa perguntar. Website é site; main pages são as páginas principais; the rest é o resto.

Repare em “what matters is” e “the point is”, que resolvem a discussão. “So we've agreed” (então está combinado), da lição sobre reuniões, fecha a conversa com o acordo, aqui com dois-pontos e uma lista curta em vez de that ou on.

What matters is…: escolher a prioridade

Use “What matters is…” para dizer, entre várias coisas, qual conta. What aqui significa “o que”. Depois de is vem um nome, como em “What matters is the quality of the text.” (O que importa é a qualidade do texto.), ou that + frase completa, como em “What matters is that the main pages are ready on Friday.” (O que importa é que as páginas principais estejam prontas na sexta.). Note que o português pede subjuntivo (“estejam”), mas o inglês mantém a forma normal: are.

No presente, é sempre matters, com -s. Para graduar, acrescente most (“What matters most…”, o que mais importa) ou to me (“What matters to me…”, o que importa para mim), que serve também fora do trabalho.

What matters / What matters most / What matters to me is the quality of the text / that the main pages are ready

The point is…: ir direto à conclusão

“The point is…” corta os detalhes e diz aonde você quer chegar. Nesta lição, depois dele vem sempre uma frase completa: “The point is that we can't do everything by Friday.” (A questão é que não dá para fazer tudo até sexta.). Com my, a ideia fica mais pessoal: “My point is that we need more time.” (O que eu quero dizer é que precisamos de mais tempo.).

Na fala, é comum uma pausa curta em vez de that, com vírgula na escrita: “The point is, the price isn't the real problem.” (A questão é que o preço não é o verdadeiro problema.).

The point / My point is that we can't do everything by Friday / the price isn't the real problem

Dois trabalhos diferentes, e como dizer “isso não”

Os dois padrões não são iguais. “What matters is…” escolhe uma prioridade entre várias; “The point is…” traz a conversa de volta ao argumento quando ela se perde.

Os dois também afastam o que é secundário, com a negação primeiro e o que conta depois: “What matters isn't the price. It's the quality.” (O que importa não é o preço. É a qualidade.) e “The point isn't who made the mistake. The point is that we fix it.” (A questão não é quem errou. A questão é consertar isso.). Em resposta curta, “That's not the point.” (Não é essa a questão.) corrige o rumo; soa firme, então use com cuidado, e diga logo qual é a questão.

Quem é she? Pronomes com dois candidatos

Um pronome só é claro se tiver um candidato. Em “Ms Reed called Nina this morning, and she isn't happy.”, há dois, e o inglês não ajuda: she serve para as duas. Mude a ordem: “Ms Reed isn't happy, so she called Nina.” (A senhora Reed não está contente, por isso ligou para a Nina.).

Com coisas é ainda mais fácil errar. Em português, o gênero às vezes separa “o texto” de “a foto”; em inglês, as duas são it, e no plural tudo é they. Em “We sent the texts to the translators, but they were late.”, they pode ser os textos ou os tradutores. Repita o nome: “…but the texts were late.” (…mas os textos estavam atrasados.). Para opções, numere: “The first one is cheaper, but the second one is faster.” (A primeira é mais barata, mas a segunda é mais rápida.).

Com um só candidato, o pronome é o melhor caminho: “The text is ready. It's on the table.” (O texto está pronto. Está na mesa.). Repetir o nome ali soaria estranho.

This sozinho pode ser vago: this + nome

This, sozinho, pode apontar para tudo o que veio antes. Em “The text is late and the price is high. This is a problem.”, o que é o problema: o atraso, o preço ou os dois? Com um nome depois de this, você resume a ideia exata e desfaz a dúvida: “This delay is a problem.” (Esse atraso é um problema.).

O mesmo vale para that: “That change isn't the real problem.” (Essa mudança não é o verdadeiro problema.). Note que o nome não repete uma palavra da frase anterior: ele dá nome ao fato, e essa é a vantagem. Delay resume “the text is late”, e change resume “the price is higher”. Assim: “We can't finish by Friday, and this delay will cost us money.” (Não dá para terminar até sexta, e esse atraso vai nos custar dinheiro.). Com uma só ideia antes, this ou that sozinhos funcionam bem, como em “That's not the point.”.

This / That delay / plan / price is a problem / isn't the real problem

A voz vai para o que muda

Na fala, você pode destacar sem mudar nenhuma palavra de lugar. A palavra que traz o contraste fica mais forte, mais longa e costuma subir de tom. Nestas notas, ela aparece em MAIÚSCULAS, mas isso é só uma marca nossa: não se escreve assim, e o áudio não garante esse acento, então diga as frases em voz alta você mesmo.

A pergunta é “Did Tom call Ms Reed?” (O Tom ligou para a senhora Reed?). Cada resposta acentua o que muda: “No, NINA called her.” (foi outra pessoa), “No, he called NINA.” (ele ligou para outra pessoa), “No, he WROTE to her.” (foi outra ação). Em português, a gente também acentua, mas costuma mudar a frase (“foi a Nina que ligou”); em inglês, a ordem fica e a voz faz o trabalho.

Corrigir com a voz: X, not Y

Para corrigir, acentue as duas palavras do contraste: “She wants it on FRIDAY, not MONDAY.” (Ela quer para sexta, não para segunda.) e “I said the PRICE, not the DATE.” (Eu disse o preço, não a data.). Também funciona em duas frases, a primeira negativa: “We didn't CANCEL the meeting. We CHANGED the date.” (Não cancelamos a reunião. Mudamos a data.) e “I didn't say the text was BAD. I said it was LATE.” (Eu não disse que o texto estava ruim. Eu disse que estava atrasado.).

Os pronomes costumam ser fracos, mas ficam fortes no contraste: “Tom called HER, not ME.” (O Tom ligou para ela, não para mim.). Por escrito não há voz, e por isso ajudam tanto not e os dois padrões desta lição, “What matters is…” e “The point is…”: fazem no papel o que o acento faz na fala.

Só para reconhecer: inversão literária

Em textos literários ou discursos, você pode encontrar uma palavra negativa no início e, depois dela, a ordem de pergunta: “have I”, “did the text”. “Never have I seen such a long delay.” quer dizer “Nunca vi um atraso tão longo.”, e “Not only did the text arrive late, but it was also full of mistakes.” quer dizer “Além de chegar atrasado, o texto estava cheio de erros.”.

Basta entender. Numa reunião ou numa mensagem, os dois padrões da lição fazem esse trabalho de forma mais natural.

Sua vez: de vago a claro

Comece por esta mensagem vaga: “Ms Reed wrote to Nina. She wants it on Friday.” Quem quer, e o quê? Primeiro, nomeie: “Ms Reed wants the photos on Friday, so she wrote to Nina.” (A senhora Reed quer as fotos na sexta, por isso escreveu para a Nina.). Depois, anuncie o essencial: “What matters is that the photos are ready on Friday.” (O que importa é que as fotos estejam prontas na sexta.). Por fim, corrija quem se confundiu, dizendo em voz alta: “She needs the PHOTOS, not the TEXT.” (Ela precisa das fotos, não do texto.).

Agora pense numa decisão sua, do trabalho ou de casa, e faça o mesmo. Complete “What matters to me is…” e “The point is that…” e diga cada frase acentuando a palavra que faz a diferença.

Resumo: anuncie, nomeie, acentue

Anuncie a prioridade com “What matters is…” (+ nome ou that + frase) e sua conclusão com “The point is…” (+ frase). Nomeie: se um pronome tem dois candidatos, repita o nome ou mude a ordem, e, quando this sozinho puder apontar para mais de uma coisa, use this + nome, como “this delay”. Acentue na fala a palavra do contraste: “She wants it on FRIDAY, not MONDAY.”.

Próximas lições