Como expressar certeza e dúvida sobre o passado em inglês
Ao falar do que aconteceu, uma pista não é a mesma coisa que uma explicação. Em inglês, expressões como “must have” e “might have” mostram o quanto você acredita numa dedução. Veja também como manter a dúvida ao resumir uma situação.
Observação e inferência
“Observation” é aquilo que você percebe diretamente; “inference” é a conclusão que tira a partir disso. Em português, também fazemos essa distinção, mas vale separar com cuidado a pista do que ela sugere.
- observationobservação
- inferenceinferência
Separar a pista da conclusão
O carro não estar no estacionamento é uma observação; concluir que Anna foi embora é uma inferência. A frase “My only observation is that Anna's car isn't here” descreve a pista, enquanto “Her absence is an inference from the missing car” deixa claro que a conclusão não foi confirmada.
My only observation is that Anna's car isn't here.
Her absence is an inference from the missing car.
A ausência dela é uma inferência baseada no carro que não está aqui.
Ouça diferentes graus de certeza
A conversa começa com uma observação: “Anna's car isn't in the car park.” Depois, os falantes propõem explicações com graus diferentes de certeza: “She must have left already” é uma dedução forte; “she might have taken the bus” é apenas uma possibilidade. “She can't have taken the bus” descarta uma explicação com base numa pista, mas a conversa termina reconhecendo o que ainda não sabem: “We don't actually know whether she's here.”
- A
Anna's car isn't in the car park.
- B
She must have left already.
- A
Or she might have taken the bus today.
- B
She can't have taken the bus; there's no service today.
- A
We don't actually know whether she's here.
- B
She seems to be away, but let's check.
Dedução forte sobre o passado: must have
Use “must have” + particípio passado quando as pistas levam a uma conclusão forte sobre algo que aconteceu. A estrutura é “[subject] must have [past participle]”. Em português, “deve ter” pode expressar uma dedução parecida: “She must have left already.” Aqui, “must” não dá uma ordem nem confirma um fato; mostra o que parece muito provável.
subject must have past participle
She must have left already.
Anna must have gone home; her desk is empty too.
A Anna deve ter ido pra casa; a mesa dela também está vazia.
Possibilidade sobre o passado: might have
Use “might have” + particípio passado para apresentar uma explicação possível, sem afirmar que ela é a mais provável. A estrutura é “[subject] might have [past participle]”. Compare com “talvez” em português: “Anna might have walked to work instead.” A forma em inglês não muda com a pessoa: diga “she might have”, não *“she might has”.*
subject might have past participle
Or she might have taken the bus today.
Anna might have walked to work instead.
Descartar uma hipótese: can't have
Use “can't have” + particípio passado quando, com base nas pistas, você conclui que algo não pode ter acontecido. A estrutura é “[subject] can't have [past participle]”. Em português, “não pode ter” também pode expressar essa dedução: “She can't have taken the bus; there's no service today.” Aqui, “can't” não é uma proibição; expressa uma dedução negativa forte, que ainda depende da validade das pistas.
subject can't have past participle
She can't have taken the bus; there's no service today.
Anna can't have driven here in her car; her brother has it today.
A Anna não pode ter vindo de carro; o irmão dela está com o carro hoje.
Impressão provisória: seems to
Use “seems to” + verbo no infinitivo para dizer que algo parece ser verdade com base nas pistas disponíveis. Em “She seems to be away”, “seems” recebe -s porque o sujeito está na terceira pessoa do singular. A expressão indica uma impressão, não uma confirmação: “She seems to be away, but let's check.”
subject seems to infinitive
She seems to be away, but let's check.
Resumir sem transformar uma dedução em fato
Ao resumir, separe o que foi observado do que você concluiu: “Anna's car isn't in the car park” relata uma observação, mas não confirma que Anna esteja ausente. “That's an observation, but it doesn't explain why she's absent” pressupõe que a ausência dela já esteja estabelecida por outra informação. Se a conclusão ainda não foi confirmada, apresente-a como inferência e preserve a incerteza: “Anna may be away, but we haven't confirmed that.” Em português, também podemos usar “pode estar”; mantenha essa ressalva ao relatar a dedução.
That's an observation, but it doesn't explain why she's absent.
Isso é uma observação, mas não explica por que ela não veio.
We should present that as an inference, rather than a confirmed fact.
A gente deveria apresentar isso como uma inferência, não como um fato confirmado.
Anna's car isn't in the car park.
We don't actually know whether she's here.
Anna may be away, but we haven't confirmed that.
A Anna pode estar fora, mas a gente ainda não confirmou isso.