Ler textos de opinião em japonês: a tese e o que ela pressupõe

Nível B2

Ler textos de opinião em japonês: a tese e o que ela pressupõe

Ao fim desta lição, você lê um texto curto de opinião em japonês e diz o que ele defende. A ideia central é esta: pergunte que trabalho cada frase faz (afirmação, exemplo, ressalva, conclusão), relate com 筆者は…と述べています (hissha wa … to nobete imasu, “o autor afirma que…”) e separe três coisas: o que o texto diz, o que ele parece pressupor e o que você mesmo pensa.

Retomada: as peças desta lição

Esta lição usa as peças abaixo, e cada uma vem explicada aqui, caso seja nova para você. と思います (to omoimasu, “acho que”) fecha uma opinião, e 例えば (tatoeba, “por exemplo”) abre um caso concreto. 一方で (ippō de, “por outro lado”) traz outro lado do que foi dito. 必ずしも (kanarazushimo) com わけではありません (wake de wa arimasen) diz “não quer dizer necessariamente que”; antes deles, a forma em ても (te mo) é “mesmo que”. ようです (yō desu) dá uma conclusão tirada de uma pista. E antes de と言っていました (to itte imashita, “disse”) vem a forma simples: 行く (iku), não 行きます (ikimasu).

As palavras: ler um texto

筆者 (hissha) é quem escreveu o texto que você está lendo. A palavra não diz nada sobre gênero nem profissão: “o autor” aqui vale para qualquer pessoa. Ela pertence à escrita e às conversas sobre textos. 述べる (noberu) é expor uma opinião ou um fato, por escrito ou numa fala formal. 文 (bun) é uma frase, e 文章 (bunshō), um texto inteiro. 主張 (shuchō) é a afirmação que o autor defende: a tese. 例 (rei) é um exemplo; tem o kanji de 例えば, com outra leitura. 結論 (ketsuron) é a conclusão. ただし (tadashi) abre uma ressalva. Esses kanji são próprios de textos: cada card traz a leitura, e aqui basta reconhecê-los, sem escrevê-los à mão.

Modelo: um texto curto de opinião

Este é um texto curto de opinião: quatro frases, uma por linha. Ouça uma vez sem ler. Depois leia procurando uma coisa só: o que o autor quer. Como num aviso, você não precisa parar em cada palavra para achar o que interessa.

Palavras de apoio: 開いている (aite iru) é “estar aberto”, e 開けてみる (akete miru) é “experimentar abrir”. 仕事をしている人 (shigoto o shite iru hito) é “quem trabalha”, 昼 (hiru) é “o dia”, em oposição à noite, e 行けません (ikemasen) é o potencial negativo de 行く, “não conseguir ir”. まず (mazu) é “primeiro”, 週に二回 (shū ni nikai) é “duas vezes por semana”, e ほうがいい (hō ga ii) indica o que é melhor.

Quatro perguntas, quatro trabalhos

Faça uma pergunta a cada frase. O que o autor defende? É a afirmação, 主張, aqui na primeira frase, que termina em と思います. Que caso concreto ele dá? É o exemplo, 例, aberto por 例えば. Onde ele limita o que disse? É a ressalva, aberta por ただし. Aonde ele chega? É a conclusão, 結論, aberta por ですから (desu kara, “por isso”). Ela não apenas repete a afirmação: abrir à noite virou um primeiro passo, duas noites por semana.

As quatro frases abaixo dizem onde está cada parte. 最初 (saisho) é “primeiro”, 二番目 (nibanme) e 三番目 (sanbanme) são “segundo” e “terceiro”, 最後 (saigo) é “último”, e …にあります (ni arimasu) é “está em…”. A terceira frase cita a própria ただし: ao contrário de 主張, 例 e 結論, a ressalva não tem aqui um substantivo.

Essas palavras-sinal ajudam, mas não são garantia: um texto pode deixar a tese para o fim, dispensar 例えば ou fazer a ressalva com でも (demo, “mas”). Por isso, quem decide é o trabalho da frase, não a palavra que ela usa.

A ressalva: ただし

ただし acrescenta um limite ou uma exceção ao que acabou de ser dito, e o que foi dito continua valendo. Na primeira linha, a biblioteca abre mesmo todos os dias; só a segunda-feira tem horário menor. O texto funciona igual: o autor continua querendo a biblioteca aberta à noite, mas avisa que isso não garante público.

Compare as duas últimas linhas. Com ただし, a cafeteria é barulhenta só aos sábados: a segunda frase recorta a primeira. Com 一方で, nada é recortado: o barulho é apenas outro lado das cafeterias, posto ao lado da praticidade.

As traduções dizem “porém”. Em japonês, ただし aparece sobretudo na escrita e em explicações cuidadosas; na conversa, でも é mais comum. まで (made) é “até”, e 七時 (shichiji) é “sete horas”.

図書館は毎日開いています/このカフェは便利です。ただし、月曜日は七時までです/土曜日はうるさいです。

Relatar o que o autor afirma

Para relatar uma posição, use a moldura 筆者は…と述べています. O que o autor diz vai antes de と, na forma simples, como antes de と言っていました: 行けません vira 行けない (ikenai), e わけではありません vira わけではない (wake de wa nai). Depois de um substantivo ou de um adjetivo em な, です vira だ: você verá 必要だ (hitsuyō da) na última seção.

Na primeira e na última frase, …ほうがいいと思います vira …ほうがいいと述べています: と思います sai, porque 述べています já atribui a ideia ao autor. Nestes relatos, 例えば, ただし e ですから também saem. A forma em ている apresenta a posição como algo que está ali no texto, como o presente em “o autor afirma”. Relatar assim não diz se ele tem razão.

述べる combina com textos e falas formais. Para o que um amigo disse, fique com 言っていました, como na frase do Leo.

筆者(ひっしゃ)は、夜も開いているほうがいい/行けない/人が来るわけではないと述べています。

Dito, pressuposto ou ausente

Ao relatar, separe três casos. 述べています é para o que está no texto. Um pressuposto é o que o autor não escreve, mas de que o argumento precisa: o exemplo só sustenta a tese se quem trabalha quiser ir à biblioteca, e o texto nunca diz isso. Como essa é uma conclusão sua, tirada de uma pista, use ようです, como na primeira frase abaixo, e esteja pronto para apontar a pista. 行きたい (ikitai) é “querer ir”, e 考える (kangaeru) é “pensar, considerar”.

述べていません é para o que não aparece: o texto não fala de custo. お金 (okane) é “dinheiro”, e …のこと (no koto) é “sobre”. Apontar uma lacuna é diferente de preenchê-la: não escreva o que o autor pensaria sobre dinheiro.

E pare por aí. この文章だけでは (kono bunshō dake de wa) é “só por este texto”, e どんな人か (donna hito ka) é “que tipo de pessoa”. Entender uma posição não exige adivinhar quem é o autor nem todas as intenções dele: basta o que o texto sustenta.

Entender não é concordar

Entender uma posição não é concordar com ela. Você pode relatá-la com exatidão e depois dar a sua: …と述べていますが (“afirma…, mas”), seguido de 私は…と思います. そう (sō) retoma o que foi dito, e が (ga) aqui é “mas”. 分かります (wakarimasu) é “entendo”, e 賛成ではありません (sansei de wa arimasen) é “não concordo”. O contrário também vale: concordar com um texto não dispensa relatá-lo direito.

Sua vez: um texto novo

Agora um texto novo, sobre reuniões. Ouça e marque cada frase: afirmação, exemplo, ressalva ou conclusão. Pense também em como relataria a primeira e no que o autor pressupõe. As respostas estão na próxima seção.

Palavras de apoio: 会議 (kaigi) é “reunião”, 短い (mijikai) é “curto”, 三時間 (sanjikan) é “três horas”, …のあと (no ato) é “depois de”, 疲れて (tsukarete) é “cansado”, e できません (dekimasen) é “não conseguir”. 話し合い (hanashiai) é “discussão”, 必要 (hitsuyō) é “necessário”, 長くても (nagakute mo) é “mesmo que seja longo”, ou seja, “no máximo”, e 一時間にする (ichijikan ni suru) é “fazer durar uma hora”.

Conferência e resumo

A ordem é a mesma do primeiro texto: afirmação, exemplo, ressalva, conclusão. Repare que a segunda frase não traz 例えば: ela é o exemplo pelo trabalho que faz, um caso concreto. E esta ressalva não usa 必ずしも: ただし basta. As duas primeiras frases abaixo relatam o que está no texto, e 必要です virou 必要だ. A terceira é um pressuposto: o autor limita as reuniões a uma hora e também diz que a discussão precisa de tempo; logo, uma hora parece bastar para ele, e por isso a frase leva ようです. できる (dekiru) é “poder”, e でも (demo) depois de 会議 é “mesmo”. A quarta é a sua opinião, separada da do autor: そう (sō) aponta aqui para o limite de uma hora, que o texto afirma, não para o pressuposto da linha anterior, e 二時間でもいい (nijikan demo ii) é “duas horas também está bom”.

Em resumo: pergunte que trabalho cada frase faz; relate com 筆者は…と述べています, na forma simples; use ようです para o que o texto parece pressupor e 述べていません para o que ele não diz; e dê a sua opinião à parte. As palavras-sinal ajudam, mas quem decide é o trabalho da frase.

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