Escrever uma recomendação em japonês: critérios, evidência e です・ます ou である

Nível B2

Escrever uma recomendação em japonês: critérios, evidência e です・ます ou である

Ao fim desta lição, você consegue escrever uma recomendação ou avaliação curta que justifica uma escolha para um leitor específico. A ideia central é esta: você diz ao leitor com que critério julgou, o que mostra isso e o que conclui, e escolhe です・ます (desu/masu) ou だ・である (da/de aru) uma vez, por esse leitor e por esse tipo de texto, mantendo a escolha no fim de todas as frases. である não é um japonês melhor nem mais educado. É uma escolha que relatórios e ensaios costumam fazer.

Aquecimento: mensagem, dois lados, limite, fonte

Estas peças voltam nesta lição, mesmo que seja a primeira vez que você as vê. O primeiro exemplo é uma mensagem para uma pessoa: 図書館が使えないので (toshokan ga tsukaenai node), “como não podemos usar a biblioteca”, dá o motivo, e 変更していただけますか (henkō shite itadakemasu ka) pede a mudança com educação.

それに対して (sore ni taishite), “em contraste”, opõe duas opções em um ponto. 一方で (ippō de), “por outro lado”, traz outro lado. 必ずしも (kanarazushimo) com final negativo, “não necessariamente”, limita uma afirmação que vai longe demais.

O último exemplo nomeia a fonte: お知らせによると (oshirase ni yoru to), “segundo o aviso”. Quando escrever a partir de uma fonte, diga qual é e não acrescente nada que ela não diga. A recomendação precisa de tudo isso, porque o leitor não está na sua frente: o texto tem que dar seus motivos sozinho.

As palavras de uma avaliação

基準 (kijun) é critério, 調査 (chōsa) é pesquisa e 報告書 (hōkokusho) é relatório. 評価する (hyōka suru) quer dizer “avaliar”. 新入生 (shinnyūsei) é um aluno novo, e みなさん (minasan) é um “todos vocês” educado para um grupo de leitores. 静かさ (shizukasa), “silêncio”, é o substantivo que vem de 静か (shizuka, silencioso). 無料 (muryō) quer dizer “gratuito” e 向いている (muite iru), “adequado”. 以上のことから (ijō no koto kara), “por tudo isso”, abre uma conclusão, e そのため (sono tame) quer dizer “por essa razão”. 考える (kangaeru) aqui é “considerar”, julgar depois de raciocinar. である (de aru) é um final de frase do japonês escrito: o segundo modelo mostra como funciona.

Modelo 1: uma recomendação para alunos novos

Ouça uma vez sem ler. Este texto fala com seus leitores, os alunos novos, por isso está em です・ます: todas as frases terminam numa forma educada, です, ます, ました, ません ou でしょうか (deshō ka), um jeito suave de perguntar.

Agora veja como ele é construído. A linha 1 nomeia o leitor e a pergunta. A linha 2 dá os critérios. As linhas 3 e 4 dão a evidência, uma para cada critério. As linhas 5 e 6 admitem um limite. A linha 7 conclui.

勉強するなら (benkyō suru nara) é “se você vai estudar”. 値段 (nedan) é “preço”. 飲みながら (nomi nagara) é “bebendo”, 勉強したい人 (benkyō shitai hito), “quem quer estudar”, e おすすめします (osusume shimasu), “recomendo”.

Primeiro, nomeie os critérios

Antes de elogiar qualquer coisa, diga com que critério está julgando. 基準は…の二つです (kijun wa … no futatsu desu) diz quantos critérios são e nomeia cada um, ligados por と (to). 二つ (futatsu) é “dois”, para coisas. Neste padrão cada critério é um substantivo, por isso 静かさ e não 静か. 時間 (jikan) é “tempo”.

A frase é uma promessa: agora o leitor espera evidência sobre cada critério. Se um deles nunca volta, tire-o daí.

基準(きじゅん)は静かさと値段/時間と値段の二つです

Sustente cada critério com evidência

Evidência é o que o leitor poderia conferir: um número, um fato, uma fonte com nome. 調査によると (chōsa ni yoru to) nomeia a fonte, e 学生百人に聞いた (gakusei hyakunin ni kiita) diz quem foi consultado: cem estudantes. 人 (nin) conta pessoas: 百人 (hyakunin) são cem, 八十人 (hachijūnin), oitenta, 六十人 (rokujūnin), sessenta. 答えました (kotaemashita) é “responderam” e 便利 (benri), “prático”.

O que os estudantes disseram vem na forma simples antes de と, o 静かだと (shizuka da to) que você vê aqui, mesmo com a frase terminando em forma educada. No terceiro exemplo, os números são a evidência: 無料 contra 五百円 (gohyaku en), e 一人 (hitori) quer dizer “por pessoa”.

学生百人に聞いた調査によると、八十人が図書館は静かだ/六十人がカフェは便利だと答えました

Diga o que sua escolha não resolve

Uma recomendação que esconde o ponto fraco parece propaganda. Aqui 一方で traz o outro lado, ですから (desu kara), “por isso”, dá a consequência, e 必ずしも mantém o limite no tamanho certo: a biblioteca não é um lugar ruim, só não é necessariamente bom para quem quer tomar café enquanto estuda. 飲めません (nomemasen) quer dizer “não dá para beber”. Depois disso a conclusão fica mais forte, porque o leitor viu você pesar os dois lados.

Conclua a partir do que mostrou

以上のことから aponta para tudo o que veio antes, por isso vem depois dos seus motivos. A conclusão tem então uma de duas funções. Uma recomendação diz ao leitor o que escolher: 図書館をおすすめします (toshokan o osusume shimasu). Uma avaliação diz o que você julgou: 図書館のほうが…に向いていると考えます (toshokan no hō ga … ni muite iru to kangaemasu), “considero a biblioteca mais adequada a…”. のほう (no hō) marca o lado que você escolhe numa comparação.

電車 (densha) é “trem”. Não acrescente motivo novo aqui: se ele importa, é na evidência que deve entrar.

以上(いじょう)のことから、図書館をおすすめします/図書館のほうが…に向いていると考えます/電車をおすすめします

Modelo 2: os mesmos fatos num relatório

Agora os mesmos fatos para outro leitor. Este texto é uma avaliação num relatório e não fala com ninguém em particular, por isso みなさん e a pergunta inicial saíram. Em vez disso, この報告書では (kono hōkokusho de wa), “neste relatório”, diz o que o texto faz. As frases terminam em である ou numa forma simples: esse é o estilo だ・である.

Compare os dois modelos linha por linha: os critérios, a evidência e o limite são os mesmos. O modelo 2 não é um texto melhor. Um aluno novo prefere ler o modelo 1, e quem lê um relatório espera o modelo 2.

A conclusão usa 考える. Relatórios costumam preferi-lo a 思う (omou), “achar”, porque ele apresenta o julgamento como fruto de raciocínio, mas 思う não está errado.

Das terminações educadas para だ・である

Isto não é o “você” e o “senhor” do português: です・ます é a forma educada, mas num texto que não fala com ninguém em particular a forma simples não é a fala entre amigos, e である não trata ninguém com menos respeito; as duas só mostram que tipo de texto é este. E a marca aparece no fim de cada frase, mudando conforme a palavra anterior.

Depois de substantivo ou de palavra como 静か, です vira だ ou である: 無料です, 無料だ, 無料である. Os dois são o mesmo estilo. だ é mais curto e direto, comum em colunas e ensaios. である guarda mais distância e é o hábito de relatórios e trabalhos acadêmicos, por isso nosso relatório o usa. Depois de palavra como 高い (takai, caro), です simplesmente cai: カフェは高い. 高いである está errado. Relatórios também escrevem いい como 良い (yoi), “bom”.

Os verbos vão para a forma simples, como nos dois modelos: かかります vira かかる, 答えました vira 答えた, 飲めません vira 飲めない. ではありません vira ではない (de wa nai). でした vira であった (de atta) ou だった (datta); 去年 (kyonen) é “ano passado”.

Cuidado com です dentro de outras palavras: ですから não combina com este estilo, por isso o relatório diz そのため, que serve nos dois. 一方で, それに対して, によると, 必ずしも e 以上のことから ficam como estão.

Escolha um estilo, pensando no leitor

Comece perguntando quem vai ler. Um texto dirigido a alguém, como uma mensagem, um aviso ou uma recomendação para alunos novos, costuma pedir です・ます. Um relatório, um trabalho acadêmico ou um ensaio que não fala com ninguém em particular muitas vezes usa だ・である. É uma escolha de gênero, não de nível: である não é mais educado nem mais correto. Numa mensagem como o primeiro exemplo, um pedido a alguém, だ・である soaria deslocado.

Depois, fique com sua escolha. 図書館は無料です。カフェは一人五百円かかる。 muda de tom entre duas frases sem motivo. Corrija para um lado ou para o outro, como fazem o segundo e o terceiro exemplos. Um julgamento também cabe nos dois estilos, como mostram os dois últimos exemplos.

Duas coisas não são mistura. Dentro da frase, antes de um substantivo, de um と que relata ou de um conector como なら ou ので, a forma simples é normal nos dois estilos: 勉強する場所, 静かだと答えました, 勉強するなら. E uma citação direta mantém as palavras de quem falou: 「静かです」と答えた. Escritores às vezes mudam de estilo de propósito, para causar um efeito; se você não consegue dizer qual é o propósito, fique com um estilo só.

Sua vez, e o resumo

O mesmo trabalho com outro assunto: ir à praia de trem ou de carro. 車 (kuruma) é “carro”, 二時間 (nijikan), “duas horas”, 四時間 (yojikan), “quatro horas” e 五千円 (gosen en), “cinco mil ienes”. A primeira linha abre um relatório. Depois dela, as linhas vêm em pares: uma frase em です・ます e o mesmo ponto para um relatório. Cubra a segunda linha de cada par, leia a primeira e diga-a no estilo だ・である, depois confira. No último par o trabalho também muda: a recomendação vira uma avaliação com と考える.

Depois escreva a sua sobre algo que você conhece. Nomeie o leitor, escolha o estilo, dê dois critérios, evidência que você possa sustentar, um limite e a conclusão. Use só fatos que você possa conferir.

Resumindo: primeiro os critérios, evidência para cada um, um limite honesto e uma conclusão sem nada novo. Escolha です・ます ou だ・である pensando no leitor e mantenha a escolha em todo fim de frase. である é uma escolha da escrita, não uma forma superior.

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